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'Gavião de Duas Cabeças' no Café Cultural

18/5/2017 14:22:00
A atriz, pesquisadora, professora e produtora em artes cênicas Andreia Duarte, e a artista cênica, educadora teatral e pesquisadora Juliana Pautilla são as convidadas do 'Café Cultural'

Daqui a pouco tem Café Cultural, a partir das 5 da tarde!

Café Cultural de hoje recebe a atriz, pesquisadora, professora e produtora em artes cênicas Andreia Duarte, e a artista cênica, educadora teatral e pesquisadora Juliana Pautilla, trazendo aos ouvintes da Rádio Mega Brasil Online os detalhes do espetáculo 'Gavião de Duas Cabeças', em cartaz na SP Escola de Teatro.

A atriz Andreia Duarte conviveu durante cinco anos com os índios Kamayura no alto Xingu e faz um depoimento estético-político sobre a invisibilidade social indígena e o atual genocídio a que estão submetidos.

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, com criação e atuação de Andreia Duarte e direção de Juliana Pautilla, retornou a São Paulo no dia 7 de maio, e que continua em cartaz até 05 de junho nos sábados, domingos e segundas-feiras (sábado às 21h, domingo e segunda 20h) na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).

A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças - um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito - que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico - norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.

O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ?es, passando este poder? ?para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ?sua sobrevivência, ?logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.

A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.

Saiba mais sobre os processos de produção e as experiências de Juliana e Andreia no Café Cultural de hoje, que também traz uma resenha sobre a Virada Cultural Paulistana, que acontece neste final de semana.

Café Cultural é apresentado por Patrick Ribeiro. O programa é veiculado às quintas, às 17 horas, com reapresentações às sextas e sábados, às 10 horas.

Ouça em www.radiomegabrasilonline.com.br - também disponível para plataformas mobile Android e iOs.



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