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Paulo e suas duas faces
Rivaldo Chinem
18/12/2018 9:38:00
Na imagem, Dom Paulo Evaristo Arns em foto de 1939 / Créditos: Marcel Uyeta-Divulgação

Quem apreciou a vivência cristã, pessoal e societária dele sabe que teve monumentais repercussões na vida religiosa e na sociedade brasileira. Uma experiência com resultados brilhantes, tanto para um como para o outro. Na Universidade de Paris-Sorbonne obteve o título de doutor. Escreveu 57 livros e recebeu 23 títulos de doutor honoris causa. Poderia ficar na vida acadêmica, só que a realidade que se apresentava o País, em plena ditadura militar que durou exatos 21 anos o levou a tomar outra atitude bem concreta e desafiadora, como a realização de missa-protesto frente ao assassinato do jornalista Wladimir Herzog, quando desenvolveu o projeto Brasil Nunca Mais, denunciando as torturas em que eram vítimas presos políticos. Essas considerações fazem parte do posfácio do professor Luiz Eduardo Wanderley na obra “A técnica do livro segundo São Jerônimo” de Dom Paulo Evaristo Arns, editado pela Imprensa Oficial e Editora Unesp.

Em sua primeira tese, agora transformado em livro, o autor relata a vitória do pergaminho sobre o papiro na época de São Jerônimo, século dos grandes escritores eclesiásticos: foi o que permitiu a sobrevivência dos mais preciosos tesouros das antigas literaturas.  No deserto São Jerônimo distribuiu aos monges vários trabalhos e deu instruções para que eles copiassem “para ganhar a vida” e, ao mesmo tempo, ocupar o espírito com a leitura. Um dos doutores da Igreja traduziu a Bíblia para o latim. Foi considerado o patrono dos humanistas, admirado até por Erasmo de Roterdã. O objetivo da tese era descrever com exatidão filológica todo o longo processo de composição da escrita, acionado nos primeiros séculos da era cristã.

 Na antiguidade clássica, a difusão do livro se fazia por meio de uma publicidade gradativa: os amigos eram solicitados a dar seu julgamento sobre a obra, copiavam e passavam um para os outros até o momento em que o público letrado passasse a se interessar por ela. Interessante: para o sucesso dessa empreitada, tudo muda e, no final, quem ganha somos nós, leitores.

 

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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