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Novas configurações do quarto poder
Rivaldo Chinem
29/1/2019 14:42:00
A Mídia caminha na corda bamba: com o máximo de poder e com as maiores chances de extinção ao mesmo tempo

Jon Lee Anderson da revista The New Yorker, foi correspondente de guerra no Oriente Médio, África e América Latina, zonas de conflito que ficaram impressas em publicações e em sua memória. Esteve em São Paulo a convite da revista Cult para participar do seminário Jornalismo – As Novas Configurações do Quarto Poder. A revista E o entrevistou. Sobre a escolha do entrevistado ele disse que sua metodologia é: abordagem, diplomacia, acesso e entrevistas. Você nunca pode escrever um perfil baseado apenas em entrevistas porque o entrevistado pode ficar no controle. Por isso, para fazer um perfil você precisa construir até quatro dimensões. Não apenas conversar com a pessoa que está do outro lado da mesa, mas andar em volta dela, observá-la de costas, de lado. Você precisa sair das quatro paredes e ver como a sociedade olha para aquela pessoa. A ideia é poder viajar com o entrevistado para ver como se move na própria cidade ou em outros países, ver como reage com as pessoas e como reagem a ele. Aí, sim, pode-se ver o verdadeiro poder que exercem. Se for apenas para um perfil, você pode parar em um determinado momento. Todos têm uma vida pública, uma vida privada e uma vida secreta. Talvez você não consiga saber qual é a vida secreta daquela pessoa e talvez você não precise saber. Depende de sobre quem você está escrevendo. Se for alguém com muitos segredos, e não é uma boa pessoa, então você precisa saber o máximo de segredos que puder.  

Anderson escreveu sobre guerras e conflitos em países como Síria, Iraque, Afeganistão. Como separar razão e emoção nessas coberturas jornalísticas? Disse que algumas vezes não é fácil, mas a experiência ajuda. Foi muito difícil no começo manter qualquer tipo de imparcialidade e até mesmo escrever a respeito desses eventos. É claro que você paga um preço por isso. Não é como ir e voltar sem nenhum dano. Como os bombeiros: eles acabam sofrendo alguma queimadura. Se você é policial num bairro violento, mais cedo ou mais tarde, poderá levar um tiro ou atirar em alguém. É assim que as coisas são. Repórteres de guerra, os poucos que existem, desejam não ter visto muitas das coisas que veem.

Como as redes sociais afetaram o jornalismo? Para ele, as redes sociais parecem um espaço para exercitar a vaidade. No entanto, todas as pessoas hoje estão tomando mais consciência dos efeitos das redes sociais. É uma Torre de Babel que torna esse mundo virtual cada vez mais narcisista. Tem também um lado positivo. Você pode pegar um táxi em segurança. Em vários aspectos as redes tornaram a vida mais fácil. No final, é tudo uma questão de escolha, como queremos viver a vida. Vivemos num momento em que a mídia tem mais poder do que em outras épocas. Você vê isso pela forma como ela é atacada hoje. No entanto, economicamente a mídia passa por uma situação muito mais insustentável que antes. A Mídia caminha na corda bamba: com o máximo de poder e com as maiores chances de extinção ao mesmo tempo.

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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