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Na era do estresse
Rivaldo Chinem
2/5/2019 10:14:00
Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de transtorno de ansiedade, e o sexo feminino sente mais as consequências disto

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de transtorno de ansiedade. Um quadro que representa 9,3% da população do país e equivale a mais de 18 milhões e 650 mil pessoas das quais as do sexo feminino sentem mais as consequências em comparação com a masculina. A médica Mariângela Gentil Savoia, doutora em Psicologia Clínica do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP diz que fatores genéticos se somam à violência urbana, insegurança, desemprego e outros agentes estressores. Há, no entanto, cada vez mais pessoas buscando auxílio psicológico ao se depararem com este quadro: “O papel da mídia de informar também faz com que as pessoas identificadas mais, vejam seus problemas e possam buscar tratamento”.  Coordenadora do Núcleo Conscientia – Estudos de Comportamento e Saúde Mental, a doutora Mariângela falou à revista E que circula na rede Sesc.

“O Brasil é um país onde as pessoas são consideradas “alegres”. No entanto, é um país que apresenta elevado índice de transtornos de ansiedade. Essa ansiedade está ligada a cobranças, a necessidade de cumprir certos padrões comportamentais exigidos pela cultura. Por exemplo: você precisa ser sociável, não só amigável, mas você tem de ser “o cara”. Outro ponto é a violência, dentro dos transtornos de ansiedade temos a questão do estresse e do trauma ligados à violência. Seja violência urbana ou doméstica, cujos índices são altos. Tudo isso gera uma insegurança muito grande no país”.

 A crise do pânico foi descrita em 1980, lembra a entrevistada, pela Associação de Psiquiatria Americana, e uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde. O que na verdade aconteceu é que ela sempre foi chamada de ansiedade, angústia e crise de angústia. Freud chamava de neurose da angústia. Ela era considerada uma patologia da personalidade. Passava a ser uma fraqueza das pessoas. Na década de 80 a pessoa chegava a um pronto-socorro e diziam que aquilo era “piti”, crise histérica e etc. E não se dava bola. Tinha-se vergonha de falar e só se falava em condições extremas. O papel da mídia de informar também faz com que as pessoas identifiquem e possam buscar tratamento. Muitos nem sabiam que aquilo era algo que pudesse ser tratado.

Uma coisa importante para lidar com o estresse, avisa a doutora Mariângela, é o equilíbrio entre lar, lazer e trabalho. A gente dedica muito tempo ao trabalho e acaba deixando muito de lado lazer e relações. Buscar esse equilíbrio é importante. É comum ouvir que falta tempo para si ou para ter um hobby. E se não há esse tempo, o nível de ansiedade pode aumentar. Outra questão importante é a aceitação. Aceitar a sua ansiedade e aprender a conviver com ela é fazer dela uma aliada que o impulsione a resolver as questões da vida, sem o desejo mágico de nunca mais sentir ansiedade. Por isso, a ideia é viver o presente.

 

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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