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O mundo frenético das mídias sociais
Rivaldo Chinem
20/5/2019 14:46:00
Mídias tradicionais têm pouca relevância no consumo de conteúdo, tanto de alunos como de professores. Há uma clara dissonância entre o meio escolar e o meio digital com o qual o corpo docente e discente convive diariamente

Certos de que ao conhecer aspectos do mundo dos alunos é possível se pensar em traçar um estudo mais aprofundado do tema, professores da Universidade de São Paulo coordenam uma pesquisa ainda em andamento e que vem desde o ano de 2018 com 60 perguntas sobre os hábitos da mídia dos alunos e professores e seu consumo de notícias e conteúdo pela internet. O fácil acesso à rede é um benefício para a comunicação, mas pode ser também um desafio quando se trata de sala de aula. O que se procura com a pesquisa é compreender melhor a relação entre os meios de comunicação e a escola e ver como isso afeta na percepção da passagem do tempo. Pesquisadores de outros universidades também aplicaram os questionários em suas localidades. Atualmente a pesquisa está em fase de tabulação e análise dos dados, mas alguns fenômenos foram claramente perceptíveis.

Mídias tradicionais têm pouca relevância no consumo de conteúdo, tanto de alunos como de professores. Há uma clara dissonância entre o meio escolar e o meio digital com o qual o corpo docente e discente convive diariamente. Pesquisadores observaram que a competição entre o que é veiculado nas mídias sociais e o conteúdo que é dado em sala de aula é um dos indicativos de que as universidades precisam se reinventar, para continuar cumprindo seu papel de educadores de jovens mentes. A característica analógica dos centros de ensino é conflitante com a sociedade digital contemporânea.

A colega Maria Eduarda Nogueira entrevistou o professor Adilson Citelli do Departamento de Comunicações e Artes da USP: “Os estudantes estão acostumados com a linguagem fragmentada das mídias. O grau de atenção exigido por uma leitura didática e as diferenças no formato fazem com que os jovens se tornem cada vez mais dispersos, enfatizando novamente os conflitos entre escola e o mundo “lá fora”. Outro fator de preocupação da pesquisa é o fato da “janela do mundo” de professores e alunos estarem se tornando a mesma, com ambos em contato constante com a internet, principalmente por meio de smartphones. Mais que em qualquer outro tempo, há a proximidade entre professores e alunos do ensino básico no que tange às formas de acessar a comunicação”.

Esse fenômeno não necessariamente tem boas consequências. É preciso analisar cuidadosamente, pois os impactos na sala de aula podem ser negativos. Além disso, a pesquisa também analisou o fenômeno chamado “aceleração social do tempo”. O mundo frenético das mídias sociais, em que os feeds são atualizados em poucos segundos, pode estar afetando o modo como os jovens enxergam a passagem do tempo. Cada vez mais, tem-se a sensação de que tudo é muito efêmero e é preciso tirar proveito de cada instante. Assim, é extremamente comum ver alunos estudando ouvindo música, por exemplo. 

“Uma das consequências da aceleração do tempo é essa ideia de termos várias atividades sobrepostas”, explicou o outro  pesquisador, Rogério Pelizzari. Esta tendência não é exclusividade dos estudantes, mas também dos professores. Desconectar-se, portanto, tornou-se um desafio.

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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