:: Projetos Especiais

Preconceito dos gestores e falta de preparo do RH são embates para a adoção de políticas de diversidade
Ana Luiza Antunes e Felipe Aranda
27/5/2019 19:07:00
Na foto, da esquerda para a direita: Taís Oliveira, Juliana Barbosa e William Malffatti

Entre os principais dilemas contemporâneos que as empresas possuem como desafio no cenário atual de inclusão e diversidade, a mais discutida é a cobrança de responder como as organizações geram retorno para a sociedade. Foi assim que William Malffatti, diretor de Comunicação, Relações Institucionais e Relacionamento com clientes do Grupo Fleury enfatizou a realidade dos discursos corporativos no talkshow promovido pelo CONREP 2ª geração, intitulado Relações Públicas & Diversidade – o múltiplo papel do profissional de RP numa era de comunicação múltipla, neste primeiro dia do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas 2019, que a Mega Brasil Comunicação realiza até o dia 29 de Maio, no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo.

Desnaturalizar é preciso

Provocada pelo professor da USP e mediador da mesa, Tato Carbonaro, Tais Oliveira, co-fundadora e Colunista no Versátil RP, apontou um dado promovido pelo VAGAS.COM. Ele cita que 60% dos profissionais de RH afirmaram que a empresa para a qual trabalham não possui um programa de diversidade. Entre as dificuldades, o mesmo estudo aponta que o preconceito ou falta de informação, aceitação e respeito dos gestores e colegas e a falta de preparo da área de Recursos Humanos são embates para a adoção de políticas de diversidade. ‘’O profissional de comunicação que lidera essas questões dentro de uma corporação, que de modo geral é o Relações Públicas, também tem que estar atento a isso’’, complementa a colunista.  

Para que os profissionais entendam a falta de representatividade nos diversos setores da comunicação, Juliana Barbosa, doutora (Phd) em Ciências de Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina e Pesquisadora nas áreas de confluência entre Comunicação e Cultura, diz que “precisamos desnaturalizar o cotidiano para que se esclareça características preconceituosas que existem tanto no profissional individual, como nas corporações”. ‘’Não adianta não reconhecer certas coisas [...] Em quantos dentistas ou médicos negros você já foi? Quantas capas de revista com mulheres negras você já viu? Não vamos pensar nisso como algo natural’’, observa Juliana. Para que o cenário possa sofrer transformações positivas, ela ainda complementa que o primeiro passo é reconhecer que esses padrões dominantes estão presentes na nossa formação e todos fomos educados a enxergar por essa ótica.

Questionados sobre a preparação da equipe corporativa para receber a diversidade na organização, os convidados destacaram que diálogo e treinamento são essenciais para que os funcionários compreendam a necessidade de inserir as diferenças no ambiente institucional. ‘’É preciso dialogar com essas pessoas e prepará-las através de oficinas e workshops, além de ouvir o outro lado para que exista a empatia’’, aponta Taís Oliveira. ‘’A empresa também precisa ser diversa. Essa vivência, convivência e abertura ao diálogo é o melhor caminho’’, destaca Juliana. ‘’O incômodo é o primeiro passo. Tem que ter muita educação a respeito. Aos poucos a gente vai lidando com o que a gente achava que era desconhecido e se tornando mais conhecido’’, cita William.

O debate mostrou a importância de abordar a diversidade no ambiente corporativo e de que forma o assunto está promovendo ainda mais inovações para as corporações. Levar isso a público e mostrar as adaptações que as empresas estão sofrendo apontam para a mudança positiva e que o corporativismo está cada vez mais aberto a todos. 



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