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Atividade de relações governamentais pós-Lava Jato é tema de debate
Nathalie Portela
28/5/2019 18:42:00
Da esq. para a dir.: Marcos Borges, Fábio Rua, Juliana Cellupi e o mediador Fernando Teixeirense (foto: Luiz Machado)

Novas maneiras de fazer Relações Governamentais no Brasil, maior profissionalização, regulamentações da profissão, compliance, formação dos antigos e novos profissionais da área e o cenário político atual. Todas essas questões foram pauta da primeira mesa redonda do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, que aconteceu nesta tarde do dia 28/05, segundo dia do evento, que acontece até amanhã no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. O pano de fundo?  O cenário pós Lava-Jato. Na mesa, Fábio Rua, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da IBM Brasil; Juliana Celuppi, sócia-Diretora do Celuppi Advogados e diretora executiva do Radar Governamental, além de diretora de Relações Institucionais do IRelGov; Marcos Borges, gerente executivo de Assuntos Legislativos da CNI – Confederação Nacional da Indústria e mediada por Fernando Teixeirense, Group director de Public Affairs da JeffreyGroup em Brasília.

Fernando Teixeira abriu a mesa abordando a importância do profissional de comunicação que lida com relações governamentais, que considerou por vezes ter a imagem associada à corrupção. “Esse é um momento muito importante para discutir com profissionais de gabarito, que trabalham com isso, sobre uma profissão que é muito séria aqui. O Brasil deveria exportar como se fazer relações governamentais, pois temos profissionais do mais alto gabarito”, disse.

Por sua vez, Juliana Cellupi pontuou que não se faz mais relações governamentais sem andar junto com a parte de comunicação e enfatizou que não se pode misturar um e outro: “Relações Governamentais são Relações Governamentais e corrupção é corrupção, cada um no seu quadrado”. Fábio Rua completou que esta é uma profissão absolutamente transparente e que os interesses corporativos são os interesses da comunidade: “Acreditamos que o compartilhamento das informações vai tornar a comunicação mais transparente e também unir as pessoas e pontos em comum entre as empresas”.

Regulamentação da atividade e Compliance

A regulamentação da profissão também foi foco do debate. Para Marcos Borges a legislação deve existir, mas não limitar o profissional, pois o que é crime já está previsto no código penal. Fábio Rua lembrou também a importância de que essa regulamentação seja democrática, sem excluir o acesso de grupos menores ao Congresso. Sobre Compliance, Juliana Cellupi definiu: “Trata-se de cumprir a legislação e as regras que existem; não tem segredo”. Os participantes definiram o termo por uma garantia de que a atividade é clara e transparente com a sociedade. E Marcos Borges pontuou: “Trabalhar no Congresso é chegar a consensos, a equilíbrios. Tem que trazer para toda a sociedade um equilíbrio que beneficie todo o país”.

Parlamento: a tecnologia e os novos profissionais

Em resposta à pergunta da plateia sobre a tecnologia envolvendo as atividades parlamentares houve pontos de vista divergentes. Para Fábio Rua, da IBM, “cada vez mais, se você quer mobilizar e trazer mais pessoas para o seu lado e potencializar argumentos, as redes sociais são o caminho. Essa é a forma de se comunicar com a população hoje”. Já Juliana Cellupi discordou da visão, e trouxe o ponto de vista que nem todo país tem acesso às redes sociais. Sendo a população brasileira muito grande e diversa, é preciso que todas as parcelas sejam contempladas. Por isso é fundamental diversificar a forma de disseminar a informação. Apesar de as redes sociais serem uma estratégia interessante, ainda é preciso trabalhar a comunicação nas formas off-line e complementares.

Ainda não há graduação ou pós específica para a formação de profissionais de Relações Governamentais, apesar de alguns cursos, como Ciências Políticas, já terem um enfoque nesse sentido. Juliana Cellupi pontuou que nessa área não há nada melhor que a prática, e Fábio Rua deu uma dica valiosa a quem pretende seguir a carreia de Relações Governamentais: você tem que se comunicar bem, ser curioso e inconformado. 



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