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Educação de qualidade com participação da sociedade é discutida em fórum
Nathalie Portela
29/5/2019 14:26:00
Da essq. para a dir. Gilson Gean Marcelo da Silva, Priscila Cruz, Americo Mattar e Antonio Góis (foto: Luiz Machado)

O Fórum do Pensamento, que abriu as atividades deste terceiro e último dia da 22ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas ressaltou a importância da educação pública de qualidade para a sociedade, das manifestações em prol de educação de qualidade que aconteceram durante esta semana e da aplicação de metodologias e políticas públicas com mais eficiência de acordo com as características de cada região, entre outros pontos. 

O evento, cujo tema foi escolhido, segundo Eduardo Ribeiro, diretor da Mega Brasil Comunicação e publisher do Jornalistas & Cia, pela urgência em se compreender onde as empresas e corporações podem atuar na busca pelo desenvolvimento da educação no Brasil, juntou na mesa Americo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo; Priscila Cruz, presidente do Todos pela Educação; Gilson Gean Marcelo da Silva, professor Doutor em Ciências da Educação e pedagogo com habilitação em Gestão Escolar, e foi mediado pelo jornalista Antônio Gois, presidente do Jeduca – Associação de Jornalistas de Educação.

Priscila reforçou a importância das manifestações em prol de educação de qualidade que aconteceram durante esta semana. Segundo a presidente do Todos pela Educação, nunca se falou tanto sobre o tema, o que é extremamente benéfico para a melhoria da área. Para ela, tão básico quanto verdadeiro é que “o Brasil só vai ser grande e justo para todo mundo se tivermos educação pública de qualidade para a sociedade”.

Melhorias

Priscila apresentou um diagnostico da situação da educação no Brasil desenvolvido pela entidade que preside e as medidas para defender o direito de crianças e jovens terem uma educação de qualidade. Nas últimas décadas o Brasil foi capaz de avançar aspectos significativos na Educação Básica. Porém, por conta de seus números altos, como os 4,6 milhões de alunos, os investimentos se diluem e a força tarefa para melhorias ainda precisam de maior intensidade. A ideia é focar nas propostas do Educação Já!, que traz projetos de políticas educacionais idealizados por mais de 80 especialistas que observaram o cenário fiscal e novas políticas e elaboraram recomendações de temáticas prioritárias de governança, gestão, e BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Americo Mattar também trouxe a visão de uma fundação que trabalha em prol de melhorias na área. Segundo ele uma fundação, qualquer que seja, pode estudar metodologias, buscar conhecimento externo, e trazer para o Brasil visões externas para complementar uma análise, sem necessidade de licitações, por exemplo, mas nunca substituir o governo em seu papel de melhorar a educação. A partir disso, modelos podem ser construídos e implantados como políticas públicas. E complementou: “o que estamos propondo, no âmbito de negócios, é remanejar o valor investido de forma melhor” – isso é: usar investimentos da companhia telefônica, por exemplo, e remanejar o uso que hoje é direcionado a mídias antigas (como um telefone público) para atuais (como internet banda larga nos colégios públicos) e trazendo real dimensão da responsabilidade do negócio.

Em sua vez de falar, Gilson Gean trouxe uma visão mais próxima do cotidiano da sala de aula. E baseou sua defesa nas especificidades de cada região do país para aplicação de metodologias e políticas públicas com mais eficiência. A proposta é focar em trabalhos com habilidade de escuta com a comunidade, interpretando suas especificidades. Como, por exemplo, usar um calendário a partir do ciclo da cultura e do movimento das águas, para que um morador de áreas ribeirinhas possa ter uma total experiência da vivência escolar de acordo com a sazonalidade das cheias e secas dos rios – fator que afeta diretamente a vida da região – focando na criatividade e alfabetização com metodologias adaptadas à especificidade daquele núcleo escolar.

O professor e pedagogo também enfatizou a importância de trazer para o Fórum do Pensamento o questionamento sobre a ausência de parcerias dificultar o avanço em passos grandiosos na melhoria da educação. Segundo ele, as intuições não irão assumir os papeis do governo, mas valorizá-lo, e fazer valer cada política pública. Gilson completou sua fala chamando a ação da plateia para ser agentes de transformação: "O que você pode fazer pela comunidade que está inserida? Do que você precisa? Como pode incluir as pessoas? Como começar? O que podemos fazer para ajudar o desenvolvimento do nosso País no que diz respeito à educação?”.

Na segunda parte do painel, aberta para perguntas aos congressistas, alguns temas vieram a debate, como a militarização de escolas públicas. Sobre essa questão Priscila ressaltou os diferentes tipos de colégios militares e os convidados deixaram um questionamento à plateia: “quais valores a sociedade está observando nesses colégios que está fazendo surgir a demanda desta metodologia de ensino?”, ressaltando o papel da sociedade também no apoio e cobrança de um ensino democrático e de qualidade. 



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