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Envelhecer com capital social
Rivaldo Chinem
29/10/2019 11:23:00
São quatro os pilares importantes que resultam num envelhecimento melhor: cuidados com a saúde, segurança pública, financeira e familiar; participação do idoso na sociedade e aprendizado contínuo

A expectativa de vida do brasileiro apontada pelo IBGE é de 77 anos, a idade da velhice neste século 21. Por enquanto a partir dos 60 anos é dada a largada para essa fase, marco definido em 1994 e aplicado ainda hoje. A previsão é de que até o ano de 2050 o número de brasileiros acima dos 60 anos triplique. Nessa corrida para viver mais, ninguém quer perder o primeiro lugar para doenças, para a solidão ou para outros obstáculos no caminho. Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Gerontologia foi entrevistado pela revista E,  falou da necessidade de planejamento da velhice, algo como o ato de poupar. Especialista no assunto pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, ele ressalta a importância da família e de amigos nessa jornada e como se preparar para se ter uma vida longa e saudável.

“A partir do momento em que a gente nasce, começa a envelhecer. A única forma de parar o envelhecimento é a morte precoce. Já a velhice, é uma construção social. Ela muda conforme os anos vão passando. Saímos de uma expectativa de 50 anos para 77 anos no Brasil.   Expectativa média de alguém com 60 anos é de, mais ou menos, 23 anos. Porque o número vai mudando conforme a idade. Quando chega aos 80, tem como expectativa de vida mais oito anos e meio, aproximadamente”.

“Viver mais tempo é resultado da diminuição da mortalidade ao longo dos anos, na mortalidade infantil e mortalidade dos adultos, sobrevida após infarto agudo do miocárdio. Antes as pessoas morriam muito mais por doenças infecciosas, como diarreia, pneumonia e gripe. Saneamento básico e vacinas foram avanços fundamentais no tratamento das doenças. Também foram descobertos antibióticos, foi controlada a pressão alta. Foram vários os avanços. Antes as doenças que mais matavam eram doenças agudas, infecciosas principalmente, hoje são as infecciosas porque as doenças que mais matam são as crônicas: pressão alta, diabetes e alguns tipos de câncer”.

“Se antes tínhamos um modelo de saúde focado no médico e em hospitais, hoje temos que ter outros tipos de serviços para acompanhar o idoso por mais tempo. Alguém com pressão alta toma remédios e precisa ser acompanhado ao longo do tempo. Dependendo das características da pressão pode ser mensalmente, semestralmente. De 15 a 20% dos fatores genéticos estão relacionados à longevidade. Todo o restante está relacionado a fatores externos, a hábitos de vida. E os hábitos de vida estão relacionados às doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes e pressão alta, entre outras. Para evitar tudo isso é preciso alimentar-se bem, optar por alimentos naturais e evitar os industrializados. Evitar carne processada e outros alimentos que passam por processamento. Comer in natura é melhor. Manter o hábito de praticar 30 minutos de atividade física diária, desde caminhar até subir escadas, pegar ônibus e descer algumas estações antes da sua parada, pode manter seu corpo ativo”.

“Envelhecimento é um processo longo que deve ser planejado, como o hábito de poupar. Envelhecer é poupar saúde e muitas vezes não temos esse cuidado de poupar saúde, dinheiro e amigos. O capital social é importante para a vida toda. Ter amigos e a família perto. A Organização Mundial da Saúde elaborou a política de envelhecimento ativo na qual destaca quatro pilares importantes que resultam num envelhecimento melhor: cuidados com a saúde, segurança pública, financeira e familiar; participação do idoso na sociedade e aprendizado contínuo. Quatro capitais para o envelhecimento ativo: saúde, financeiro, social e cognitivo, ou seja, as atividades sociais estão presentes como a espiritualidade e não estou me referindo à religião. Ficar velho é um privilégio”.

 

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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