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A necessidade de aprendermos – e ensinarmos - sobre CIDADANIA DIGITAL
Janaína Spolidorio
18/11/2019 11:48:00
Especialista em educação, Janaína Spolidorio é formada em Letras, com pós-graduação em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação e MBA em Marketing Digital. Ela atua no segmento educacional há mais de 20 anos

Parece algo distante, mas não é. A cidadania digital já é parte de nossas vidas e deveria estar também incluída no currículo escolar.

Muitas empresas investigam, atualmente, o possível candidato a uma vaga na internet e não é à toa e nem perda de tempo. O digital nos fornece mais informações sobre uma pessoa do que uma entrevista.

Um potencial candidato a uma vaga de emprego conta na entrevista o que deseja, mas na internet o empregador pode ver hábitos, comentários e perfil da pessoa, praticamente sem filtros. Pode-se perceber o nível de responsabilidade, a qualidade de escrita, os interesses e até mesmo a superficialidade ou profundidade do indivíduo.

Tudo isso é possível porque ao usarmos a internet deixamos nossa PRESENÇA DIGITAL. Cada nova foto adicionada e comentário feito contribuem para formar um currículo digital.

Explicada a importância de sermos zelosos com o que fazemos em redes sociais, blogs e afins, vamos a um conceito maior: a cidadania digital. Ela é o mesmo que temos no mundo que chamamos de real, mas em escala digital.

 Nós, adultos, aos poucos nos inserimos neste universo tão amplo, mas as crianças nascem já com ele pronto, portanto é essencial que as escolas ensinem aos alunos ao menos elementos básicos do digital. Veja alguns tópicos que devem estar no currículo:

SEGURANÇA NA INTERNET: a segurança é essencial. Sabemos o quanto a rede de internet é aberta e, portanto, perigosa a uma criança. Elas ainda não possuem a malícia de um adulto, que logo percebe as “arapucas” e falsidades. Uma criança pode ser manipulada. Assim como ensinamos a não conversar com estranhos, não aceitar coisas de alguém que não conhecem, devemos ensiná-las a serem cautelosas com os “amigos” virtuais, com as mensagens que recebem de desconhecidos. Além disso, ainda há a questão de senhas na internet. As senhas são protocolos de proteção para diversas informações. Para tudo no digital há um limite de interação e nossos alunos devem ter ciência disso. Importante trabalhar ainda as consequências.

CIBERBULLYING: assim como temos bullying nas escolas, ele também pode acontecer nas redes. Fotos constrangedoras, mensagens ameaçadoras e afins podem assustar, coagir e até ter consequências drásticas. Nossos alunos devem ter orientações de como se portar em casos como esses. Muitas vezes não sabem onde procurar ajuda ou nem conseguem expressar a ruína emocional pela qual estão passando. O apoio do professor e dos pais em questões como esta antes de acontecerem pode ser até vital, dependendo do caso.

RESPONSABILIDADE DIGITAL: a forma como nos expressamos na rede diz muito sobre nós. Quando deixamos um comentário estamos nos expondo para um público e por este motivo temos que ser cuidadosos com o que falamos. Comentar sobre algo pode indicar várias coisas, pois pode ser positivo, quando você coloca seu ponto de vista argumentando pontos conscientes, mas também pode mostrar sua ineficiência, sua falta de conhecimento sobre algo. É preciso ter consciência de que você está se expondo publicamente e que muitas pessoas irão ler ou ver o que você postou. Além do cuidado com o que se faz, ainda é preciso ser responsável com o que coloca na rede. É preciso evitar mostrar muito sobre sua vida pessoal e o local onde mora, colocar fotos de outras pessoas sem autorização, fazer postagens que sejam gatilhos para situações de ódio ou constrangedoras. Afinal de contas, é uma rede de pessoas intermediada por uma tecnologia e essas pessoas serão impactadas por suas colocações.

LETRAMENTO DIGITAL: com o avanço da rede muitos novos gêneros e tipos de texto foram criados. Temos hoje a escrita por abreviação ou texting, o e-mail, um novo formato para notícias, o escopo, o banner digital, os formulários digitais. Todos eles são formas diferentes de produzir textos. Nossos alunos precisam ter consciência destas estruturas e saber produzi-las, pois irão interagir com elas (e muitas outras que serão ainda criadas) durante sua vida. Assim como ensinamos a comunicação por cartas, precisamos ensinar por e-mail, por exemplo, porque possui uma formatação e uma linguagem diferentes.

O universo digital, embora seja amplo e cresça diariamente, deve também ter normas e regras. Cabe a nós percebermos esses limites e também perceberem novas contribuições para podermos ensinar nossos pequenos a terem uma melhor consciência e construírem desde cedo uma boa PRESENÇA DIGITAL.



Sobre a autora: Especialista em educação, Janaína Spolidorio é formada em Letras, com pós-graduação em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação e MBA em Marketing Digital. Ela atua no segmento educacional há mais de 20 anos e atualmente desenvolve materiais pedagógicos digitais que complementam o ensino dos professores em sala de aula, proporcionando uma melhor aprendizagem por parte dos alunos e atua como influenciadora digital na formação dos profissionais ligados à área de educação.

 



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