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Na coluna A
política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato questiona: O que
aconteceria se Lula, mesmo com 80% de aprovação popular, tivesse adiado o
tradicional carnaval de fevereiro para o mês de abril, em homenagem a um de
seus ministros, o mais querido (quem seria?), se acaso este deixasse nosso meio
às vésperas da festança do Rei Momo? Para ler o artigo O direito ao riso, CLIQUE
AQUI
No artigo Ante os pequeninos, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as
lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis.
Segundo o colunista, não existe criança - nem uma só - que não solicite
amor e auxílio, educação e entendimento. Para ler a coluna Comunicação com
todas as letras, CLIQUE AQUI
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| As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores. |
A solidariedade em trânsito
02/08/2010 - 09:00:21
No
cotidiano da cidade de trânsito caótico, uma frota de quatro peruas Kombi se
destaca pela originalidade da pintura colorida. No interior dos veículos,
lanchinhos, sucos, água, travesseiros, cobertores para os dias frios,
brinquedos, música, filmes, revistas e livros.
Um motorista e um voluntário devidamente treinados estão a postos em cada uma
das peruas para tornar o trajeto confortável para os passageiros e seus
acompanhantes. A eles se junta uma frota de “independentes”: cinco a seis carros
particulares de voluntários igualmente preparados para percorrer trechos em
condições precárias e longas distâncias.
Não se trata de empresa de turismo às voltas com roteiros diferenciados, mas de
uma ONG criada para transportar gratuitamente crianças carentes e com câncer
durante o período de tratamento, o que, quase sempre, significa meses seguidos.
Na maioria dos casos, essas crianças residem em bairros afastados de São Paulo
e precisam de cuidados diários nos hospitais especializados da cidade. Assim,
as idas ao hospital podem ser menos traumáticas e o serviço ainda contribui
para reduzir as desistências do tratamento por dificuldades de locomoção.
Distâncias superiores a 50 km do centro
Espírito de solidariedade é o que move a AHPAS - Associação Helena Piccardi de
Andrade Silva, criada em 1999 com a missão de melhorar a qualidade da vida dos
jovens pacientes em uma fase delicada para eles.
A AHPAS surgiu da necessidade de os pais da pequena Helena renovarem o sentido
da vida após a morte da filha de cinco anos, em decorrência de câncer. A rotina
da doença mostrou a eles a falta de transporte especializado e gratuito. Mais
ainda, motivou-os a oferecer um serviço com essas características para as
famílias que precisam levar seus filhos para um tratamento regular e não dispõem
de recursos. Afinal, pensaram, de que servem os tratamentos de ponta
disponíveis nos hospitais da cidade que atendem pelo SUS, se o paciente pobre
não tem acesso fácil a eles?
Quatro
hospitais infantis especializados em atendimento a casos de câncer em São Paulo fazem uma
seleção entre os pacientes mais pobres, mais debilitados e que residem em áreas
mais distantes da cidade. De posse dessa lista, a AHPAS planeja os percursos
diários para cobrir distâncias às vezes superiores a 50 km do centro.
A AHPAS atende primordialmente casos de pacientes amputados, casos de jovens
com tumores cerebrais que não podem mais se movimentar e pacientes terminais. A
equipe atual reúne oito funcionários e 42 voluntários, que se mobilizam para
transportar 30 jovens pacientes.
Mais ânimo para ir ao hospital
Na prática, o motorista da AHPAS vai até a casa do paciente, ajuda a acomodar o
jovem no veículo e conversa com ele e seu acompanhante para deixá-los à
vontade.
Um voluntário segue junto para atender o paciente e seu acompanhante. No
hospital, motorista e voluntário ajudam o jovem a desembarcar. Ao final do
tratamento, ambos vão buscá-lo no hospital e levá-lo de volta para casa. Nos
períodos em que o jovem faz quimioterapia, é comum que fique enjoado. Para
proporcionar-lhe o máximo conforto, há saquinhos plásticos e papel toalha a
bordo e o carinho do voluntário e do motorista.
A AHPAS também organizou um núcleo de apoio a pais enlutados que, se quiserem,
podem receber a visita de um voluntário para conversar, falar dos seus filhos,
contar suas histórias e participar de atividades em grupo com outros pais.
Responsáveis nos hospitais envolvidos com a ação da AHPAS apontam para uma
melhora na disposição geral das crianças e adolescentes transportados. Há mais
ânimo para ir ao hospital e receber o tratamento com regularidade. As famílias
também se sentem mais seguras e amparadas, uma vez que não podem arcar com o
alto custo do transporte privado.
Como ocorre com outras entidades assistenciais, a AHPAS depende de doações e
voluntários (www.ahpas.org.br). Embora
sua atuação esteja restrita à cidade de São Paulo, o seu modelo de
solidariedade merece ser copiado em outras cidades do País.
* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e
escritor, criador desta coluna.
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