6/9/2010

Na coluna A política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato questiona: O que aconteceria se Lula, mesmo com 80% de aprovação popular, tivesse adiado o tradicional carnaval de fevereiro para o mês de abril, em homenagem a um de seus ministros, o mais querido (quem seria?), se acaso este deixasse nosso meio às vésperas da festança do Rei Momo?  Para ler o artigo O direito ao riso, CLIQUE AQUI


No artigo Ante os pequeninos, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis. Segundo o colunista, não existe criança - nem uma só - que não solicite amor e auxílio, educação e entendimento. Para ler a coluna Comunicação com todas as letras, CLIQUE AQUI

Daniel Bruin
As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores.

A solidariedade em trânsito
02/08/2010 - 09:00:21

No cotidiano da cidade de trânsito caótico, uma frota de quatro peruas Kombi se destaca pela originalidade da pintura colorida. No interior dos veículos, lanchinhos, sucos, água, travesseiros, cobertores para os dias frios, brinquedos, música, filmes, revistas e livros.
Um motorista e um voluntário devidamente treinados estão a postos em cada uma das peruas para tornar o trajeto confortável para os passageiros e seus acompanhantes. A eles se junta uma frota de “independentes”: cinco a seis carros particulares de voluntários igualmente preparados para percorrer trechos em condições precárias e longas distâncias.
Não se trata de empresa de turismo às voltas com roteiros diferenciados, mas de uma ONG criada para transportar gratuitamente crianças carentes e com câncer durante o período de tratamento, o que, quase sempre, significa meses seguidos.
Na maioria dos casos, essas crianças residem em bairros afastados de São Paulo e precisam de cuidados diários nos hospitais especializados da cidade. Assim, as idas ao hospital podem ser menos traumáticas e o serviço ainda contribui para reduzir as desistências do tratamento por dificuldades de locomoção.
Distâncias superiores a 50 km do centro
Espírito de solidariedade é o que move a AHPAS - Associação Helena Piccardi de Andrade Silva, criada em 1999 com a missão de melhorar a qualidade da vida dos jovens pacientes em uma fase delicada para eles.
A AHPAS surgiu da necessidade de os pais da pequena Helena renovarem o sentido da vida após a morte da filha de cinco anos, em decorrência de câncer. A rotina da doença mostrou a eles a falta de transporte especializado e gratuito. Mais ainda, motivou-os a oferecer um serviço com essas características para as famílias que precisam levar seus filhos para um tratamento regular e não dispõem de recursos. Afinal, pensaram, de que servem os tratamentos de ponta disponíveis nos hospitais da cidade que atendem pelo SUS, se o paciente pobre não tem acesso fácil a eles? 

Quatro hospitais infantis especializados em atendimento a casos de câncer em São Paulo fazem uma seleção entre os pacientes mais pobres, mais debilitados e que residem em áreas mais distantes da cidade. De posse dessa lista, a AHPAS planeja os percursos diários para cobrir distâncias às vezes superiores a 50 km do centro.
A AHPAS atende primordialmente casos de pacientes amputados, casos de jovens com tumores cerebrais que não podem mais se movimentar e pacientes terminais. A equipe atual reúne oito funcionários e 42 voluntários, que se mobilizam para transportar 30 jovens pacientes.
Mais ânimo para ir ao hospital
Na prática, o motorista da AHPAS vai até a casa do paciente, ajuda a acomodar o jovem no veículo e conversa com ele e seu acompanhante para deixá-los à vontade.
Um voluntário segue junto para atender o paciente e seu acompanhante. No hospital, motorista e voluntário ajudam o jovem a desembarcar. Ao final do tratamento, ambos vão buscá-lo no hospital e levá-lo de volta para casa. Nos períodos em que o jovem faz quimioterapia, é comum que fique enjoado. Para proporcionar-lhe o máximo conforto, há saquinhos plásticos e papel toalha a bordo e o carinho do voluntário e do motorista.
A AHPAS também organizou um núcleo de apoio a pais enlutados que, se quiserem, podem receber a visita de um voluntário para conversar, falar dos seus filhos, contar suas histórias e participar de atividades em grupo com outros pais.
Responsáveis nos hospitais envolvidos com a ação da AHPAS apontam para uma melhora na disposição geral das crianças e adolescentes transportados. Há mais ânimo para ir ao hospital e receber o tratamento com regularidade. As famílias também se sentem mais seguras e amparadas, uma vez que não podem arcar com o alto custo do transporte privado.
Como ocorre com outras entidades assistenciais, a AHPAS depende de doações e voluntários (www.ahpas.org.br). Embora sua atuação esteja restrita à cidade de São Paulo, o seu modelo de solidariedade merece ser copiado em outras cidades do País.
* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.



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