03/12/2021

Clique aqui para ler a coluna Responsabilidade Social e Ética, o artigo Vestir azul, por Lucila Cano.

 
Rivaldo Chinem
As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores.

Objetividade do entrevistador
17/04/2013 - 09:58:59

Autor do documentário “Garrafas ao mar”, sobre a vida de Joel Silveira, seu parceiro em alguns livros, o jornalista Geneton Moraes Neto, 40 anos de carreira, faz algumas considerações sobre a entrevista. À revista Imprensa, o ex-editor do Jornal da Globo e ex-chefe do escritório da emissora em Londres diz que prefere ir para a rua entrevistar um flagelado da seca do que ficar em sala de reunião discutindo pautas.

Ainda menino escrevia para o suplemento infantil do Diário de Pernambuco e um dia, ao visitar a redação, teve o impacto olfativo e visual de um jornal de verdade. O barulho das máquinas, todo mundo fumando, aquilo o marcou muito. Acha que bom jornalismo é o que incomoda alguém: “O poder não gosta de ser incomodado, e eu não digo só o poder político, mas o das celebridades também. Precisamos de um choque de jornalismo. Eu acho essas entrevistas de celebridades um desfile constrangedor. Entrevista tem de ser um instrumento de prospecção e revelação, nunca de congratulação”.

Jornalista não pode deixar que inclinações ideológicas contaminem o trabalho. Geneton diz ter visto exemplos terríveis: “Tem jornalista que se recusa a entrevistar Fidel Castro porque ele é um ditador comunista. Outros não entrevistariam o ex-presidente norte-americano George W. Busch porque ele invadiu o Iraque”.  Disse ter visto jovem jornalista derrubando matéria mesmo antes de sair para apurar, já começa botando defeito na pauta dizendo que o assunto é velho, mas segundo ele não existe assunto velho, o que existe é jornalista desinteressante: “Garanto que o mundo real é dez vezes mais interessante do que o mundinho dos jornalistas”.



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