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Na coluna A
política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato questiona: O que
aconteceria se Lula, mesmo com 80% de aprovação popular, tivesse adiado o
tradicional carnaval de fevereiro para o mês de abril, em homenagem a um de
seus ministros, o mais querido (quem seria?), se acaso este deixasse nosso meio
às vésperas da festança do Rei Momo? Para ler o artigo O direito ao riso, CLIQUE
AQUI
No artigo Ante os pequeninos, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as
lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis.
Segundo o colunista, não existe criança - nem uma só - que não solicite
amor e auxílio, educação e entendimento. Para ler a coluna Comunicação com
todas as letras, CLIQUE AQUI
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| As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores. |
Somos todos apaixonados pelo JB jornal
01/09/2010 - 09:25:43
O último
dia de um jornal é muito melancólico. Imaginar que amanhã você não mais vai
receber em casa, nem ver nas bancas. Me lembro de alguns títulos que se
perderam no tempo, como Última Hora, Popular da Tarde, Gazeta Esportiva. Mas,
nos anos 70, 80, 90 alguém poderia imaginar que esse seria o destino do JB?
Pois o tradicional jornal, ou o que restou dele, deu ontem seu último suspiro,
escafedeu-se, virou um site assim como tantos outros, montados às pressas, sem
conteúdo, feito à base do gilete press, com meia dúzia de gatos pingados.
Trabalhei no Jornal do Brasil ainda nos bons tempos, por três anos, na Sucursal
de São Paulo. O diretor era o Beto Sardemberg, depois o Marcelo Pontes. A
chefia da sucursal era da Célia Chaim e eu, que entrei como coordenador de
economia, seis meses depois era o chefe de reportagem. Só que naquela
concepção, caía no samba todos os dias. Tinha de sair, telefonar, apurar,
escrever várias matérias por dia. Mas era um tempo glorioso, uma equipe que
tinha Vasconcelos Quadros, Ricardo Kotscho, Luiz Paulo Lima, Humberto Werneck,
Wagner Barreira, Roberto Baschera, Zelão, José Maria Mayrink, Evanildo da
Silveira, Nilton Horita, Karina Pastore e tantos outros que não me esqueço mas
que fariam aqui uma lista interminável. Quando a Célia foi ter seu filho,
fiquei cuidando de praticamente tudo. Era um peso enorme, período do
impeachment de Collor, de muito escândalo. Mas na retaguarda, no Rio, havia uma
equipe fantástica.
O espírito de todos era o mesmo. Éramos amantes da notícia, das pretinhas, do
trabalho. Éramos apaixonados pelo JB. Trabalhávamos sempre muito, mais de 12
horas por dia e saíamos felizes, como se fosse possível encarar tudo de novo.
Era algo feito com prazer. Algo que sempre repercutia, que sempre virava pauta
e mudava ou ajudava a mudar o rumo das coisas.
Tinha o pingue da página 13 nos fim de semana, a revista Domingo, a coluna do
Castelo. Tinha o tradicional “L” gráfico que revolucionou o meio jornal nos
anos 60. Tinha liberdade de se criar e de se apurar. O pessoal do JB quase não
precisava de pauta, era uma turma que andava com as próprias pernas, que tinha
idéias e as coisas funcionavam. No meu tempo não cheguei a passar por períodos
difíceis, mas pouco tempo depois começaram os atrasos, as constantes trocas na
redação, os desmandos. Deu no que deu. Acharam que era possível separar o nome
do resto. Era como separar a cabeça do corpo. Não deu.
O JB se vai, mas não me venham com o motivo de que perdeu para a internet. O
caso JB é específico. Perdeu para sua estrutura, para suas dívidas, para a sua
falta de tino jornalístico. Um jornal, fica provado, não se sustenta apenas num
nome. Precisa ter alma de jornal, gente de jornal, dedicação de jornal. Faltou
tudo isso. Infelizmente.
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