4/9/2010

Na coluna A política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato questiona: O que aconteceria se Lula, mesmo com 80% de aprovação popular, tivesse adiado o tradicional carnaval de fevereiro para o mês de abril, em homenagem a um de seus ministros, o mais querido (quem seria?), se acaso este deixasse nosso meio às vésperas da festança do Rei Momo?  Para ler o artigo O direito ao riso, CLIQUE AQUI


No artigo Ante os pequeninos, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis. Segundo o colunista, não existe criança - nem uma só - que não solicite amor e auxílio, educação e entendimento. Para ler a coluna Comunicação com todas as letras, CLIQUE AQUI

Nosso amigo Engel
31/03/2010 - 11:29:05
POR MARCO ROSSI

Nesta noite de terça-feira recebi aquele que seria o último artigo assinado pelo meu amigo Engel Paschoal, para o Jornal da Comunicação Corporativa. O e-mail trazia a assinatura da jornalista Lucila Cano, sua companheira havia anos e que o acompanhou até o seu último instante entre nós. Eu sabia da luta que o Engel travava pela vida, naquele instante, aliás mais do que ele, que imaginava estar internado para o tratamento de uma anemia. Ao ler o e-mail, agradeci à Lucila e pedi que desse um beijo no Engel, em meu nome.  Que bom que tive a oportunidade de beijá-lo, mesmo que através da Lu. Não haveria, por certo, ninguém mais indicado para fazer isso em meu nome.

Hoje, 31 de março de 2010, por volta das 4 horas, Engel Paschoal nos deixou. Eu estava de partida para Brasília quando li a curta mensagem postada pela Lucila Cano, a portadora do meu beijo carinhoso a esse amigo.

Nosso primeiro contado com o Engel foi lá meio tumultuado. Ele havia sido convidado a fazer uma palestra num dos congressos da Mega Brasil e no processo de solicitação de equipamentos para sua apresentação acabou acontecendo um engano. Nada que nossa equipe não pudesse resolver, mas me lembro que ele ficou extremamente nervoso e preocupado com a possibilidade daquela ocorrência comprometer, de alguma forma, a qualidade da sua apresentação. Mais do que isso, sua preocupação, na verdade, é que aquela ocorrência pudesse comprometer a qualidade do evento para o qual ele havia sido convidado pela primeira vez. Passado o estresse, ele se desculpou, revelando assim, seu caráter extremamente responsável com as coisas que faz, respeitoso com as parcerias que assume e, acima de tudo, humilde e elegante ao assumir seus erros. Engel foi uma lição de ser humano.  Tinha lá os seus defeitos, como qualquer ser humano, como o gênio forte, mas por certo tinha muito mais virtudes.

Depois daquilo, Engel e Lucila se aproximaram bastante de nós, freqüentaram os corredores da Mega Brasil, nos deram o privilégio de tê-los em dois importantes projetos da empresa - o Jornal da Comunicação Corporativa e a Rádio Mega Brasil Online; executaram com extrema competência e profissionalismo os projetos do livro feito em homenagem a Octavio Frias de Oliveira, talvez a última obra literária assinada por Engel Paschoal, e a segunda edição do Retratos de A/Z das Agências de Comunicação, embrião do Anuário das Agências de Comunicação, lançado pela Mega Brasil no final do ano passado. Enfim eram figuras, ele e Lucila, permanentemente presentes na Mega Brasil.

Mas o legal disso tudo era ter a amizade do Engel. Por um bom período fomos vizinhos de bairro, e era comum encontrá-lo caminhando pelas ruas da Aclimação. Era sempre um pretexto para parar, trocar algumas palavras, apertar-lhe as mãos, ganhar um abraço. Engel era apreciador de um bom vinho e por conta disso, tive a satisfação de dividir com ele algumas taças. Pena que foram tão poucas vezes.  Numa ocasião ele me surpreendeu com um presente inusitado: um conjunto de acessórios para lareira. O curioso é que nem lareira eu tenho, mas com o bom humor refinado que possuía, Engel me disse: “agora você tem motivos de sobra para pensar em ter uma”.

Esse curto espaço de tempo que aqui passamos, e que convencionamos chamar de vida, é mesmo surpreendente. Coloca pessoas e situações em nossa trajetória, que tornam essa caminhada rica em experiências e ensinamentos. O Engel é uma dessas pessoas que não deixam saudade, mas ensinamentos. Ele lutou contra a sua doença com a mesma determinação e seriedade com as quais conduziu todos os projetos nos quais se meteu. Nunca se curvou diante das dificuldades, mas as enfrentou com consciência, coragem e otimismo, sempre tendo a Lucila ao seu lado, dando o apoio e o incentivo tão imprescindíveis nesse momento. Lembrarei do Engel, não com saudade, mas com carinho e respeito pelo profissional e ser humano que é, porque pessoas como ele não morrem, perpetuam-se nos exemplos que deixaram.

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