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Na coluna A
política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato questiona: O que
aconteceria se Lula, mesmo com 80% de aprovação popular, tivesse adiado o
tradicional carnaval de fevereiro para o mês de abril, em homenagem a um de
seus ministros, o mais querido (quem seria?), se acaso este deixasse nosso meio
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No artigo Ante os pequeninos, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as
lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis.
Segundo o colunista, não existe criança - nem uma só - que não solicite
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Denúncias testam capacidade da Igreja Católica gerenciar a crise
07/04/2010 - 07:00:00
POR JOÃO JOSÉ FORNI
Os especialistas em crises de imagem asseguram que nenhuma organização está imune à crise. A máxima serve como uma luva para uma das mais tradicionais instituições da história, a Igreja Católica. Em 2000 anos certamente enfrentou crises graves. Papas tiveram que fugir para outros países. Seus dogmas foram questionados pela Reforma de Lutero, no século XVI. Sua trajetória registra a página negra da inquisição. Agora, a Igreja Católica se vê diante de uma avalanche de denúncias que não poupam nem a figura, vista como intocável, do Sumo Pontífice, o Papa Bento XVI. Notícias sobre escândalos sexuais na Igreja não são recentes. Nos Estados Unidos, desde 2002 a Igreja Católica tem feito acordos judiciais com vítimas de abusos ocorridos em educandários e igrejas do país. Nas dioceses de Los Angeles, Boston, Portland, Orange e outras pequenas cidades a Igreja foi condenada a pagar indenizações de US$ 1,2 bilhão para 2.250 vítimas. A justiça americana identificou cerca de 50 propriedades da Igreja disponíveis para venda com vistas a cobrir as ações de indenização. Esses casos foram tratados isoladamente e pareciam não atingir diretamente o Vaticano, por se tratar de acusações contra padres ou dioceses, em particular. Agora é diferente. Após os escândalos nos Estados Unidos e em outros países, o fato mais recente aconteceu na Irlanda. No fim do ano passado, o Ministério da Justiça da Irlanda divulgou relatório sobre abusos cometidos por padres contra crianças entre 1975 e 2004. O relatório critica a forma como a Igreja Católica lidou com as denúncias de abusos contra 320 menores de idade. Os abusos teriam sido cometidos por 46 padres da arquidiocese de Dublin, onde 11 deles foram condenados. O relatório critica a Igreja Católica por ter priorizado a preservação da própria imagem, a fim de evitar um escândalo, e não a proteção das vítimas e a punição dos culpados. O Papa divulgou uma carta com desculpas pelos abusos na Irlanda, o que não amenizou as críticas, principalmente na imprensa da Grã-Bretanha, bastante severa em relação ao comportamento dos líderes católicos no episódio. O Cardeal Sean Brady, de 70 anos, chefe da Igreja na Irlanda e arcebispo de Armagh, está sofrendo uma pressão para renunciar em função do escândalo. Em nove anos de investigação, existem evidências de que milhares de crianças e jovens sofreram abusos na Irlanda. As ações arrolam quatro bispos. O arcebispo de Canterbury, em Londres, Rowan Williams, quebrou o protocolo e afirmou na sexta-feira santa que a Igreja Católica na Irlanda perdeu toda a credibilidade. Pelo exagero, acabou se desculpando um dia depois. Em Milwaukee, Wisconsin (EUA), entre 1950 e 1974, 200 meninos surdos sofreram abusos do Pe. Lawrence Murphy. Membros da diocese denunciaram, na ocasião, o padre à Santa Sé, em Roma. O New York Times divulgou documentos há duas semanas mostrando como o Vaticano foi alertado e teria ignorado as denúncias. O agravante é que o cardeal responsável em 1996 por essa área se chamava Joseph Ratzinger, ou seja, o Papa Bento XVI. O padre acusado nunca foi punido pela Igreja, nem denunciado às autoridades e morreu com 72 anos. Estados Unidos e Irlanda, como se vê agora, eram apenas a ponta do iceberg. Denúncias de abusos sexuais contra menores também apareceram na Itália, Alemanha, Áustria, Austrália, Espanha, Suíça, Holanda e Brasil. Outro relato que também chega perto de Bento XVI, veio à tona na Alemanha. Em 1979, um padre acusado de abuso sexual contra um menor foi transferido para a arquidiocese de Munique. O arcebispo era Joseph Ratzinger (Bento XVI), que concordou com a transferência, apesar de passado do religioso. Pelo menos até 1998, o acusado voltou a cometer os mesmos crimes após transferências sucessivas de paróquias. As denúncias de abusos vêm num crescendo desde o ano passado, quando estourou o caso da Irlanda. A maneira como a Igreja vai administrar essas acusações irá determinar como ela se sairá desta crise, uma das mais graves da instituição, nos últimos anos. A Igreja não tem tradição de trabalhar com transparência. Mas essa crise parece bater no “core business” da instituição. O jornal italiano Corriere dellla Sera, da Itália, disse na semana passada que “a maré de denúncias nos EUA e Europa finalmente alcançaram a janela acima da Praça de S. Pedro (o Papa Bento XVI) com força destrutiva”. As reações da Igreja, por meio do Osservatore Romano, e de porta-vozes isolados, pecam pelo conservadorismo. Os pruridos provocados pelo incômodo tema, ao ser abordado pela mídia, principalmente em países de tradição católica, como Brasil, Espanha e Itália, também não contribuem para esclarecer. As raras manifestações de autoridades eclesiásticas voltam-se mais para desqualificar críticas ao pontífice, do que para esclarecer ou lamentar as acusações. Como a Igreja administra a crise Sob os princípios de gestão de crise, a Igreja trilha caminhos equivocados. O primeiro pelo fato de não ser transparente, fazendo ouvidos moucos a denúncias e evidências de crimes contra crianças. A omissão teve o propósito de abafar o escândalo e preservar um desgaste maior da imagem da Instituição. Se a Cúria Romana soube dos fatos e se omitiu, preservando os religiosos acusados, para evitar a publicidade do escândalo, errou. E induziu toda a instituição ao erro, porque, ao não denunciá-los, minimizou os abusos, contribuiu com a impunidade, afrontou a honra das crianças ultrajadas e permitiu que o fato se repetisse em outros locais. Há um consenso entre teólogos, especialistas em crises de imagem e autoridades que a Igreja passou “uma sensação de traição” para as vítimas. A inação do Vaticano e, nos casos divulgados, do próprio Pontífice, quando Cardeal na Alemanha e no Vaticano, teria permitido que os abusos continuassem. “A menos que o Papa possa convencer crentes e críticos de que ele está pronto para esclarecer os segredos vergonhosos, demitir todos os culpados pelos escândalos e tomar medidas efetivas para preservar futuros abusos de crianças dentro da Igreja, seu pontificado pode estar fatalmente comprometido”, disse o jornal The Times, de Londres, em editorial no último dia 20 de março. A imprensa, ao denunciar os fatos, está cumprindo sua parte. Ninguém está atacando a Igreja como instituição. Isso pode acontecer com qualquer tipo de organização e com qualquer comunidade religiosa. A tradição secular da Igreja Católica ou o peso da autoridade papal no mundo não dão direito a autoridades eclesiásticas de se omitirem, quando há crimes, principalmente contra crianças. Não é porque agora se desvenda a verdade - por 50 ou 60 anos mantida sob o tapete – que a Igreja se tornou menor e enfraquecida perante os crentes. É porque houve abusos, agora denunciados por ex-alunos e até por outros religiosos, que a sociedade cobra uma postura mais transparente da Igreja. O escândalo não foi inventado pela mídia, mas relatado pela mídia. Além disso, os deslizes e crimes cometidos por religiosos, se de um lado desgastam a imagem da Igreja, de outro não desqualificam sua importância histórica, nem seu valor como instituição. Como em qualquer organização, os “pecados” de determinados membros não jogam toda a comunidade na vala comum. Os padres pedófilos são a contrafação de personagens como Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, São João Bosco, São Vicente de Paula, Santa Terezinha, João XXIII, D. Paulo Evaristo Arns e tantos outros religiosos que escreveram uma belíssima página na história da Igreja. Mas não é a doutrina nem o capital religioso que estão sendo julgados, mas atos de gestão, omissões, que degradaram vítimas inocentes. Como diz o New York Times, o escândalo está testando a confiança do povo no líder católico. O segundo erro da Igreja foi não apresentar à sociedade e não entregar às autoridades os religiosos acusados ou suspeitos. No mínimo afastá-los, o que não aconteceu nos casos de Milwaukee (EUA) e Munique (Alemanha). Os padres continuaram a ter contatos com jovens, com a única restrição de mudar de cidade. Tapou-se o sol com peneira. É esse corporativismo de cumplicidade que arranha a imagem da Igreja. A punição exemplar serviria como ato inibidor de outros abusos. A omissão permitiu que a prática não fosse coibida, sob o manto do sigilo e da impunidade. Esse tema só veio à baila nos Estados Unidos, na década de 90. Assim como aconteceu no caso de Galileu, que levou a Igreja anos depois a se retratar, até à condenação à fogueira de hereges, porque discordavam de determinados dogmas, está na hora de a instituição reconhecer a culpa pelos abusos e se retratar. Além disso, afastar todos os padres e leigos suspeitos ou acusados de pedofilia, com a consequente suspensão das funções. Abrir os arquivos dessas denúncias, trazer à luz os nomes dos acusados é uma maneira também de inibir a prática de crimes semelhantes no futuro. Manter a impunidade foi um erro no passado e continuará a sê-lo no presente, se nada for feito. Bela retórica pode dar manchete, mas nesse caso não resolve a crise. O Vaticano não pode colocar seu poder, tradição ou pseudo-intocabilidade acima do direito das vítimas e seus familiares de denunciarem e nem da sociedade conhecer toda a verdade. Ou seja, o que uma boa gestão de crise exige é uma completa apuração e transparência de todas as denúncias e das falhas passadas de seus líderes, incluindo as do Papa, se houve. O que a sociedade, incluindo os católicos e religiosos, querem é a punição dos culpados, o reconhecimento dos erros e a forma de repará-los. Indenizações financeiras não são suficientes para consertar a cicatriz na vida dos jovens que foram abusados. O dinheiro não apagará o sofrimento nem a mancha definitiva em suas vidas. Os atos praticados por ministros da Igreja devem ser encarados como erros humanos e não confundidos com princípios doutrinários da Igreja. Os evangelhos nada têm a ver com a libido exacerbada de padres e leigos, que travestidos de ministros da igreja e protegidos pela capa preta da impunidade, do silêncio cúmplice dos superiores e da rígida hierarquia eclesiástica aproveitaram-se da ingenuidade de crianças para cometer abusos. Não há diferença essencial entre esses crimes e os perpetrados por pedófilos, que se aproveitam da internet para seduzir crianças. Aqueles podem até ser mais graves, porque cometidos por pessoas em quem as crianças confiavam, indicados para educá-las e protegê-las. Não há por que a Igreja ter pruridos para abrir a caixa preta, contar a verdade e ir atrás de quem cometeu delitos. Em qualquer agrupamento humano – e a Igreja não está imune a isso – existem as “ovelhas negras”, para usar uma máxima do evangelho. O que as organizações não podem, e isso vale também para as igrejas, é compactuar com a impunidade quando alguém escorrega. É isso que determina se a crise está bem ou mal administrada. Até agora a Igreja tergiversou. A imprensa só cumpre o seu papel em não escondê-los. Será muito pior para a imagem da Igreja Católica persistir qualquer tipo de nódoa na forma como administra essa crise. O prejuízo de imagem e o desgaste com milhões de fiéis será muito pior. Não adianta também assegurar que a Igreja sabe cuidar de seus ministros. Pela avalanche de denúncias, a Igreja não soube ou não quis conduzir esse assunto com transparência, rigor e disciplina necessários. O pacto para manter os delitos em segredo, permitindo a impunidade, para evitar desgaste maior à imagem da instituição, mostrou-se um erro histórico, que agora pode ser corrigido. O Vaticano se defende com o argumento de que o Pontífice não tomou conhecimento dos fatos denunciados. “Há um plano organizado, muito bem dirigido” para desgastar a Igreja, denuncia o Cardeal José Saraiva Martins, da Congregação para as Causas dos Santos. Na sexta-feira santa, o porta-voz do Vaticano comparou os ataques à Igreja e ao Papa com o antissemitismo. Teve que se retratar. Na Inglaterra, o Cardeal Keith O'Brien, o mais antigo no país, disse que as ações dos padres pedófilos deixou os católicos sentindo-se desmoralizados e confusos e causou profunda irritação no clero inocente”. Durante todos os sermões de Páscoa pelo mundo, cardeais e bispos, incluindo o Vaticano, manifestaram-se constritos sobre as denúncias de pedofilia. Mas entre todos os pronunciamentos, a nota do episcopado da Suíça parece resumir o mea culpa entre os próprios religiosos: "Nós humildemente admitimos que subestimamos a extensão da situação. Tanto a diocese quanto as ordens religiosas cometemos erros”.
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